domingo, 8 de fevereiro de 2015

Exu Mulambo


Mulambo é um Exu líder de falange e, ao contrário do que se imagina, daquilo que mais se acredita, Exu não é um tipo de espírito que faz o mal, na verdade, ele tem, assim como os demais guias uma força muito grande no trabalho que executa.
Mulambo atua dissolvendo larvas astrais, antes mesmo de que se criarem formas pensamentos que serão nocivas às pessoas.
Muito se imagina que os exus são esses espíritos que vagam pelas ruas, encruzilhadas, aceitando todo tipo de oferenda em troca de favores. Até existem esse tipo de espíritos que, às vezes, fazem parte de alguma falange de Exus, mas, em sua maioria, os Exus são aqueles que trabalham em esferas que outros guias não atuam.
Não confundam Exus de encruzilhadas com Exus de lei.
Se alguém disser que fizeram um "trabalho" e que Exu Mulambo está de obsediando...Não acreditem, pois esse não é o papel dele.

Pomba Gira Maria Farrapo

Maria era uma pessoa que fazia varios tipos de trabalhos, as vezes até para o mal.
Maria ficou muito conhecida por sua cidade, seu país, pelo mundo; ficou tão conhecida, que todos só procuravam Maria para fazer vários tipos de trabalho, pois ela conhecia muito bem a bruxaria.
De tanto trabalhar Maria acabou muito rica, em seus braços carrega pulseiras de ouro puro e em seu pescoço corrente de ouro com pedras preciosas, porém Maria não tinha tempo de sequer trocar de roupa. E ai está seu tão famoso nome Maria Farrapo.
Sua roupa foi se desgastando até rasgar, mas quem pensa que farrapo é trapo está muito enganado, pois Maria Farrapo é uma das pombas giras mais ricas que existem.

Pomba Gira Maria Farrapo

Parceira direta de dona Maria Molambo e faz parte da mesma hierarquia, ou seja, da mesma falange. Geralmente vem em terra em pontos cantados a Maria Molambo. Isso se da devido a aproximação de ambas.
Sua marca registrada é sua ironia. Direta, clara e objetiva. São Pombas Giras serias, fies e determinadas. São as guardiãs do trono de Maria Mulambo. Trabalham cobrando carma e retorno de demandas.
Quando Mulambo é procura sempre há uma Farrapo ao lado correndo gira. A falta de compreensão faz com que seus médiuns trabalhem como se estivessem bêbados.
É necessário muita sintonia e contato com esta guardiã para poder incorporar sua real e essência.

Características

Bebida:
Finas e caras e fortes.

Fuma:
Cigarros e cigarrilhas

Guia:
Vermelha e
preta

Lugar:
Encruzilhada em T

Metal:
prata

Mineral:
Ônix

Planta:
Rosas, aroeira.

Vela:
Preta e vermelha.

Ponto Riscado:

Farrapo responde nos pontos riscados de suas parceiras.

Maria Molambo
Maria Quitéria

Pontos Cantados:

O ponto cantado é outra maneira do guia nos revelear sua identidade. São musicas, curimbas onde eles cantam contando sobre sua historia ou passagens de suas vidas. Brincam, ensinam e ate advertem através dos pontos cantados. São versos rimados simples e fáceis de cantar. Existem vários e centenas e podem ser utilizados para saudar, louvar, agradecer e ate mesmo invocar o Guia ou espírito.

Maria Farrapo,
no terreiro te chamamos.
Firma teu ponto,
que tua força precisamos.
Vem trabalhar o teu mistério,
aplicar a lei de Umbanda.
Desfazer o mal entendido,
e mostrar quem é que manda.
Da Calunga à Encruzilhada,
do Cruzeiro ao Cabaré
Vem Maria Farrapo,
concedendo seu axé.

PONTO DA FALANGE MARIA FARRAPO

Estou sempre caminhando,
vendo sempre muita dor.
Vejo almas que se perdem,
sem ouvir seu protetor.
Filho de fé,
não escute a voz do mal.
Vence aquele que resiste,
com consciência e moral.
Sou Maria Farrapo,
e minha falange tem poder.
Sou amiga da justiça,
e não me deixo corromper.

PONTO DE SUBIDA DE MARIA FARRAPO

Maria Farrapo vai embora,
levando o mal que aqui havia.
Vai girando mundo afora,
desfazendo a hipocrisia.

O FEITICEIRO EXÚ MARABÔ TOQUINHO - GUARDIÃO DO TERCEIRO UMBRAL


E seu vulgo (Exú Marabô Toquinho). Se trata de uma entidade que quando vida teve, viveu com o titulo de Feiticeiro Sr. da Tribo em uma época medieval, mais antiga que a própria antiguidade. Muitos pesquisadores relata que pode ser encontrado parte da Biografia dessa entidade até hoje no Norte da Rovaniemi "Norte da Finlândia" - Onde esta localizada a mata gelada. Foi um Feiticeiro Bruxo que carregava seus conhecimentos da Magia e Bruxaria em suas 7 cabaças. Sendo aprendiz de Bruxos e de Feiticeiros D'rumas. sendo pelos seus ritos e feitos, por derrubar uma manada de Búfalos que todos da tribo os temia assim como o Rei também. Marabô com seu poder foi capaz de salvar a tribo de uma manada de Búfalos os desafiando sozinho. Recebeu do Rei da Tribo o nome de Feiticeiro Sr. da Tribo e passou a ser chamado por todos de Marabô Toquinho por ser ágil, consciente, astucioso, alto e extremamente forte.

Mas carrega o nome de Toquinho por ser Alto e ter 2 Metros e 50 Centímetros de Altura "E só incorpora em médiuns de 1,75 Altura para baixo". Um homem, com postura fina, elegante e um bom apreciador de conhecimentos, boas bebidas como Vinhos, Whisks, Marafos e outros. Utiliza uma Capa de Veludo preto como de um conde. Conseguiu transpassar a barreira do tempo de sua própria existência através da prática da Magia e hoje incorpora em um médium para dar consultas e resolver problemas espirituais utilizando o seu conhecimento milenar, sua magia e seu poder de Exú através de seu ponto Cabalístico e sua Bruxaria.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Festa de Ibejada




-Uau...que lindo! Veja quanto balão colorido...E quantos amiguinhos tem aqui!!!
Os olhos da menina brilhavam ao entrar naquele ambiente onde fora conduzida durante o coma, por seu amigo protetor. Enquanto seu corpo inerte sobre o leito hospitalar, acoplado a vários aparelhos, mantinha uma vida quase artificial, em corpo espiritual foi retirada daquele ambiente triste, para que pudesse receber auxílio junto a um terreiro de Umbanda onde se realizava uma festa de Ibejada.
-Tio, quero aquele balão...me dá um pirulito? Posso tomar guaraná?
Milena, ali naquele local não aparentava mais a menina depressiva e triste que há vários dias adoecera e simplesmente desistiu de querer viver, por isso entrou em inanição, chegando ao coma. Cansada de maus tratos pela mãe adotiva e sem ter a quem se socorrer, resolveu que queria morrer quando ainda não tinha 6 anos de idade.
Agora Milena, entre as crianças encarnadas que se aglomeravam em meio aos Ibejis e todos aqueles doces e refrigerantes, sorria feliz. Estando em corpo espiritual, não podia ser vista pelos encarnados, porém ela percebia nitidamente, não só os médiuns que recebiam os espíritos chamados de Ibejis, como também os próprios espíritos acoplados a estes. Depois do primeiro instante de fascinação, a menina passou a observar cada um daqueles "amiguinhos" que se diferenciavam pela luz e beleza.
-Que menina linda vem nos visitar – falava Mariazinha, receptiva e sorridente.
-Oi, quem é você?
-Me chamo Mariazinha e gostaria de te ajudar. Me contaram que anda tristinha...querendo morrer.
-É...foi o tio que te contou?
-Também...
-Ah, amiguinha...agora eu não estou mais triste pois o tio me trouxe aqui onde tem muitas crianças, doces e todos esses balões...tem até bolo de aniversário. Eu nunca ganhei um, sabia?
Hum, então vou te servir um pedação deste bolo gostoso que tem o poder de devolver a alegria e o doce a todos os corações tristes e amargurados.
Milena agora se deliciava com o bolo ( cópia energética do existente no plano material) o que a levou a adormecer em corpo astral e, ali mesmo, no ambiente espiritual do terreiro, em departamento específico para estes tratamentos, foi levada a relembrar através de seu mental de vida pretérita onde plantou essa colheita dolorosa, bem como de seu comprometimento antes da atual reencarnação. Isso era possibilitado pelo fato de estar ali, naquele corpinho infantil, um velho espírito endividado com as Leis. Antiga freira, responsável por orfanato que acolhia órfãos, usou de sua autoridade e amargura para maltratar e por vezes escravizar as pobres crianças que eram a ela destinadas pela igreja.
De maneira amorosa, aquele espírito que se fazia também infantil durante a Ibejada, juntamente com o "tio"- protetor de Milena – agora a faziam relembrar bem como imantavam a nível cerebral essa lembrança que serviria para que, quando acordasse no corpo físico e pela necessidade de ressarcir as dívidas contraídas, sentisse mais alegria e vontade de viver, prosseguindo sua jornada encarnatória tão necessária para reajuste daquele espírito.
Enquanto a festa no terreiro prosseguia alegre, com os Ibejis curando e brincando com a meninada, Milena foi levada de volta ao seu corpo físico. Muitas coisas agora se diferenciavam a nível mental, emocional e energético que seriam repassadas ao seu corpo físico bastante debilitado. No dia seguinte, ao amanhecer as enfermeiras constataram que Milena recuperava seus sinais vitais, não necessitando mais ficar ligada aos aparelhos, para em breve já voltar a se alimentar e sorrir.
Sua saída do hospital era aguardada por uma "tia" do Conselho Tutelar que a levaria até um abrigo infantil. Sua mãe perdera a guarda da menina. De agora em diante, sua rotina seria assim, alternando-se entre algumas tentativas de adoção e sua volta aos abrigos, até que na adolescência um casal estrangeiro lhe possibilitaria a chance de ter um lar e se profissionalizar.
A Linha das Crianças que atua na Umbanda, denominada de Ibejada , Yori ou Cosme e Damião é trazida ao plano terreno através da irradiação dos médiuns, pelos protetores que em forma plasmada de crianças e agindo como tal, se apresentam no terreiro brincando e distribuindo alegria aos consulentes. Espíritos portadores de grande sabedoria e elevação, através das brincadeiras infantis, possibilitam dessa maneira, que as pessoas afrouxem seu emocional, liberando para que eles atuam a nível energético. Oferecem doces que contém já a energia necessária e que vai agir, de certa forma, como um remédio.
Relembrando as palavras de Jesus: - Deixai vir a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus – que nada mais significava do que a pureza de que se revestem ainda as crianças, tão necessária ao nosso aprendizado adulto. A sua facilidade natural em esquecer ofensas como também em manifestar suas emoções, sem máscaras.
Nas festas ou giras de Ibejada, além dos consulentes encarnados, a espiritualidade aproveita para trazer muitos outros em desdobramento do sono ou que se encontram em coma, para receber o auxílio a nível energético. Além ainda, do grande número de espíritos desencarnados e que se acham ainda adoentados, principalmente a nível emocional.
Portanto a festa é total e completa. Uma festa de alegria, de cura, de transformação. E assim, através de Mariazinhas, Joãozinhos, Cosmes e Douns, no meio de balas de côco e brincadeiras, nossos sábios protetores e guias nos permitem a ajuda evolutiva de que tanto carecemos.
Salve a Ibejada!
Contada por Vovó Benta.
Leni W.S - 2008
www.tuva.com.br

domingo, 25 de janeiro de 2015

Os Bastidores da Umbanda



Firma o ponto minha gente
Preto Velho vai chegar
Ele vem de Aruanda
Ele vem prá trabalhar...
Era dia de "gira de preto velho" naquele terreiro. Enquanto os consulentes chegavam ansiosos e esperançosos em levar de volta a "solução" daqueles problemas que atrapalhavam suas vidas, na frente do conga os médiuns vestidos de branco e de pés descalços concentravam, ligando-se aos seus protetores e guias.
O ambiente denotava simplicidade e era mobiliado apenas por algumas cadeiras para acomodar os consulentes, poucas banquetas para os médiuns que serviriam de "aparelhos" às entidades espirituais e o congá onde um vaso de flores, outro de ervas e os elementos ar, fogo, água e terra se faziam presentes. Acima, uma imagem de Jesus resplandecente de luz.
Iniciando-se a sessão através de pontos cantados e orações, após uma leitura espiritualista elucidativa, iniciavam-se as incorporações de maneira moderada. Do lado astral, as falanges de trabalhadores já haviam chegado muito tempo antes dos médiuns e ali já haviam preparado o ambiente fluidicamente. Uma varredura energética havia sido feito pelos elementais onde primeiramente atuaram as salamandras e após as sereias e ondinas, fazendo com que toda a matéria astralina densa que ali se encontrava, fosse transmutada permitindo a chegada dos espíritos trabalhadores.
Na porta do ambiente, junto à firmação de ponto riscado e da presença do elemento fogo, postava-se o guardião da Casa, Exu Gira Mundo, impondo respeito e segurança. Num raio de 360º ao redor da construção, uma guarnição dos caboclos na egrégora de Ogum formavam verdadeira muralha armada, impedindo a invasão de seres indesejáveis ao bom andamento do trabalho da noite. A construção toda estava no interior de grande pirâmide iluminada na cor violeta, com grande e grossa placa de aço imantado na parte inferior impedindo que o excesso de energia telúrica desequilibrasse a polaridade positiva que era captada pelos sete anéis giratórios que ladeavam a pirâmide, representando as Sete Linhas de Umbanda. Cada um desses anéis destacam-se na cor fluídica de seu Orixá e emitiam um harmonioso som diferenciado.
Cada um dos consulentes que adentrava ao ambiente passava agora primeiro pela defumação que queimava junto à porta, em cumbuca de barro, exalando o cheiro das ervas perfumadas sendo incineradas pelo carvão vegetal. Equipes de limpeza se movimentavam no lado espiritual, recolhendo as larvas astrais e outras espécies de energias deletérias que ali eram desagregadas dos corpos dos consulentes, as quais não eram totalmente absorvidas pelo carvão ou transmutadas pelo elemento fogo.
Em alvíssimas vestes, os amados Pais e Mães, na sua roupagem fluídica de Pretos velhos, trazendo a alegria estampada em sua energia, tomavam conta de seus "aparelhos" médiuns, atuando no chacra básico dos mesmos, obrigando-os a dobrar as suas costas à semelhança de velhos arqueados, incentivando-os ao trabalho fraterno.
E assim, de consulente em consulente, de caso em caso, com a paciência e sabedoria que lhes é peculiar, entre uma baforada e outra de palheiro ou de alguma espanada com o galho de ervas na aura daqueles filhos, os bondosos espíritos cumpriam sua missão. Eram conselhos, corrigendas, desmanche de magia negra, de elementares artificiais negativos, limpeza e equilíbrio dos corpos sutis, retirada de aparelhos parasitas e às vezes, alguns puxões de orelha necessários, em forma de alerta. Tudo de acordo com o merecimento do consulente, pois cada um trazia consigo a mostragem de sua "ficha cármica" onde estavam impressos o que a Lei permitia ser mudado, bem como o que ainda era necessário que com eles permanecesse.
Vó Benta, espírito portador de grande sabedoria e humildade, apresentando-se naquele local com o corpo astral de negra velha de pequena estatura, com roupas simples e alvas, cuja saia comprida e larga era coberta por um avental onde um bolso era recheado de ervas e patuás, tinha uma maneira simplista e diplomática de fazer com que os filhos entendessem que eles próprios eram seus médicos curadores:
-Minha mãe, acho que estou sendo vítima de "trabalho feito" pela minha ex mulher...
Sorrindo e com linguagem peculiar, segurava com firmeza as mãos do moço passando-lhe com isso confiança e com a voz recheada de afeto respondia:
-Negra velha vai explicar para que o filho entenda: - quando sua casa está totalmente fechada, fica escura e nada pode entrar, às vezes nem a poeira. Não é isso? Quando o filho abre as janelas e portas, a luz do sol entra invadindo todos os cantos, mas podem entrar também as moscas, baratas, formigas e até os ladrões, não é? Para a sujeira e os bichos, o filho pode usar a vassoura, para os ladrões a lei, a segurança. E para a luz do sol? Ah, essa filho, fica ali iluminando até que o filho feche toda a casa outra vez. Assim também é a nossa casa interna; quando nos fechamos para a vida, para o trabalho, ficamos no escuro e ao nos abrirmos , deixamos a luz entrar mas ficamos sujeitos a todas as outras energias que pululam ao nosso redor. Mas como acontece na casa material, onde não houverem os atrativos da sujeira e do lixo, os insetos não se aproximam. Se estivermos equilibrados, sem raiva, mágoa, ciúmes, vícios e todos esses lixos que os filhos buscam na matéria, nada nem ninguém consegue afetar nossa energia, nossa vida. Só o sol permanece no coração de quem procura manter-se limpo.
Negra velha sabe que esse mundão está de cabeça para baixo. No lado material os filhos andam desarvorados pela dificuldade de sustento de suas famílias, quando não, em busca de supérfluos. Mas mesmo assim, é preciso lembrar aos filhos, que embora estejam na matéria e sujeitos à ela, a vida real está no espírito imortal. É preciso dar mais atenção, senão prioridade, à essência em detrimento do restante, para que possa haver o equilíbrio dos elementos inerentes à vida, na sua totalidade.
O mal que é enviado aos filhos, só vai instalar-se se encontrar no endereço vibratório, ambiente adequado. Sem contar que, o medo é porta aberta e atrativo para a entrada do desequilíbrio. O medo é sentimento muito usado pelas energias trevosas, uma vez que fragiliza o corpo emocional facilitando sua atuação mórbida. Por outro lado, negra velha pergunta para o filho: - se a desordem não houvesse se instalado, por acaso o filho estaria aqui, sentado no chão, em frente à preta velha, buscando humildemente ajuda espiritual? Nem sempre o que nos parece mal, é tão prejudicial assim. Pode ser o remédio adequado para o momento, ou talvez a estremecida necessária no corpo astral dos filhos, para que a ordem possa reinstalar-se.
As trevas, meu filho, estão vinte e quatro horas de plantão. E os filhos, acaso estão? Não adianta orar e não vigiar, pois o pensamento é energia e com ele nos adequamos ao campo energético que quisermos.
Antes da hora grande as falanges da egrégora dos Pretos Velhos, despediram-se de seus aparelhos, alguns precisando largar e desfazer a vestimenta astral usada para que pudessem chegar até os aparelhos mediúnicos e voltavam agora para as bandas de Aruanda, onde continuariam suas atividades no mundo astral. Pois como diz a Vó Benta, "se pensam que morrer é dormir e descansar, os filhos estão muito enganados... desse lado tem muito trabalho e como nem o Pai está imóvel, quem somos nós cuja ficha cármica demonstra um vasto débito, para nos aposentarmos?".
Agora as velas apagam-se, os elementos voltam a integrar a natureza, os elementais após limparem o ambiente retornam aos seus devidos reinos, os elementares foram desagregados pela força e sabedoria dos pretos velhos e os médiuns voltam aos seus lares com a sensação de paz que só é sentida por aqueles que cumprem com seus deveres.
Preto velho já foi,
Já foi prá Aruanda,
A benção meu Pai
Saravá prá sua banda...
Leni Saviscki / Jornal Sagrado de Umbanda

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Alguém Te Espera na Noite / Psicografado por Gero Maita





Vinte e três horas e alguns minutos, em algum dos muitos "inferninhos" disfarçados com luxo, luzes e uma ilusória alegria na grande metrópole que não dorme, notamos um grupo de seres sombrios arquitetando seu plano para iniciarem seu processo de vampirização.
O suposto chefe, pois mantem postura altiva e senso de diligência da as coordenadas para que o grupo se divida nas táticas programadas para que não se perca nesta noite "nenhuma cabeça" e todos saem para a "caça"
O local começa a ficar lotado de almas ainda na fase juvenil de suas vidas, mentes invigilantes, sonhadoras e muito, muito desatentas com o cenário sombrio que se desenrola ao seu lado. A beleza do local, as pessoas agitadas o som de música alto é o cenário propicio para se instalarem processos dolorosos de obsessões a principio simples que inevitavelmente caminharão para o um quadro de complexidade em um futuro não tão distante. A ausência de luz solar possibilita que seres infelizes, presas do ódio e sedentos de vingança executem suas técnicas de absorção das energias vitais e aprisionamento mental destes filhos ( as) ainda perdidos na ilusão dos sentimentos.
Notamos um grupo que guarda todo o perímetro do quarteirão onde se instala os locais que serão atacados, outro grupo sem nenhum problemas adentra um determinado estabelecimento a em um canto fica a espera das vitimas perfeitas.
Os encarnados começam a chegar levantando a bandeira do liberalismo, da revolta sem causa, do "eu posso tudo, por que sou dono da minha vida" e mal sabem que sua "liberalidade" os conduzem para sua própria queda regada de ilusão e indisciplina.
A música e a bebida são a ponte de ligação para o cenário de dor que começa a se desenrolar o que nos assombra é como o ser humano gosta de eleger sua liberdade somente com atitudes que firam aqueles que pensam de forma oposta as suas, notamos pais e mães lutando para que seus filhos levem uma vida sadia e ao mesmo tempo os preceitos do Cristo, "HONRA TEU PAI E TUA MÃE" é jogado na sarjeta, num misto de intolerância, revolta sem causa e imaturidade precoce. Ma a noite esta somente começando.
Um grupo de jovens é escolhido para o processo de vampirização, sem que percebam a mesa em que estão sentados é envolvida por um cinturão sombiro, que bloqueia por afinidade vibratória qualquer fonte de pensamento de luz convidar ao raciocínio e ao bom senso dos que ali se submetem a esta situação.
Dentro deste cinturão estão agregadas energias, de dor, de sofrimento, de ódio e revolta, de irresponsabilidade, de crueldade colhidas das emanações mentais que infelizmente diariamente são criadas pelo ser humano que pouco recorre a prece, a reflexão e a reforma intima.
Dentro deste cinturão dois espíritos sombrios lembrando muito a feição de bruxas começam a estimular a conversa de baixo nível vibratório, regada de palavrões, reclamações sem fundamento, luxúria e malícia, tudo isso regado a bebidas, cigarros que através dos "canudos humanos que ali se encontram" possibilita-lhes sentir o prazer que a falta do corpo carnal impediu a muito tempo de alimentarem também os seus vícios terrenos.
Outro grupo estimula os músicos e DJ"s que tocam um ritmo de música frenético convidando a danças com excesso de sensualidade reportando-nos as festas sombrias de Sodoma, Gomorra e do império Babilônico. Neste cenário notamos que homens e mulheres tem colados a seus corpos físicos espíritos que dançam na mesma sintonia vibratória e dentro do padrão que lhes competem estimulam os pensamentos destes a crerem que sua dança esta "agitando", criando assim uma ligação em seus chacras coronário e básico de cordões energéticos que sugam facilmente suas energias vitais devido ao estimulo mental que neles é executado.
A noite entra e não se pode perder "gado", um espirito perito em hipnotismo manipula os sentidos de tempo dos presentes no espetáculo sombrio que se desenvolve para que a noção das horas sejam por algum momento esquecidas e o "trabalho" posso se encerrar quando o "ASTRO REI" da sinal de sua chegada e oferece perigo pois consome com seu vento solar as irradiações parasitárias e os seres que as geram, todos devem ficar até o ultimo momento, colocando os limites físicos ao extremo.
É hora de estimular o prazer, andando em meio aos presentes encontramos dois espíritos femininos que mais lembram hermafroditas pois possuem dois sexos totalmente dilacerados criando as afinidades ilusórias. A lei do "ficar" esta aberta, o sexo livre é estimulado, a traição é liberada e notamos que os espíritos citados se abraçam levianamente em seus alvos de ambos os sexos ou de sexos diferentes e começam através do estimulo mental a criarem o desejo, mas não o desejo de vivenciar felicidade, alegria e amor, mas o desejo animal, estimulado pelo sexo desregrado, do beijo sem compromisso, é a luxúria de antes sendo revivida pelos seus afins.
Dois corpos em união possibilitam a vampirização de energias salutares para os processos de criação de objetos de tortura nas regiões umbralinas tais como: Dama de ferro, bastões com espinhos, correntes incandecentes etc...
Alguns irão completar e servir de cobaia para os vibriões e o laboratório para instalação dos mesmos esta disfarçado com a placa levando o nome de MOTEL. É camaradas existe muita coisa na noite que vcs desconhecem.
O ser humano precisa no estágio vibratório que se encontra procurar viver as causa do Cristo primeiramente dentro de si. Reforma intima não é brincadeira é atitude, mudança leva tempo, mas tem que se ter ao menos coragem para ser firme em seus objetivos.
Eleger uma liberdade em meio a este cenário com o título de "balada" sem atentar para os perigos que isso lhe oferece é assinar o atestado de ingenuidade ao extremo, basta ver os crimes, os lares destruídos e as vidas desviadas do propósito maior que o Cordeiro nos propôs a começar na simplicidade de uma manjedoura.
Mas a noite segue e outras virão e "eles" estarão lá esperando por você.
Haverá mudança? Sim desde que ela comece dentro de você mesmo....
A noite termina o ASTRO REI anuncia sua chegada e notamos jovens transformados em farrapos humanos retornando aos seus lares, o resultado? Crises depressivas, brigas em família, senso de "ninguém me entende", dúvidas e medo de fracasso, só que esta fracasso já esta dentro deles mesmos.
O tratamento? Entender a proposta do Cristo " Aquele que desejar me seguir, abandone seu pai e sua mãe, vende os seus bens, peque sua cruz e me segue....."
Na prática! Renegue as paixões mundanas, conheça a si próprio e lembre-se trabalho no bem e na reforma intima é investimento futuro e não presente....
Saudando vossas forças
SETH
*Esta experiência foi vivida através de desdobramento do médium psicografo com um dos guardiões que lhe amparam em uma das noites de São Paulo no ano de 2010
ceuesperanca.blogspot.com

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Andanças de um Preto Velho - Canalizada por Ednay Melo


Certa vez em uma das andanças desse nego véio pelos terreiros que trabalham com a Bandeira de Pai Oxalá, fiquei a observar os movimentos dos filhos de fé antes do início dos trabalhos. Uns se lembravam de problemas não resolvidos com os familiares, outros não esqueciam aquele desaforo ouvido quando caminhavam para o terreiro e por pouco não revidaram a ofensa, outros ainda arquitetavam na mente como se defender de provável comentário malicioso que talvez aquele irmão de fé tenha para com ele. Ainda outros fazem suas obrigações não por amor, mas para mostrar (véio não sabe a quem) que é o melhor, o mais dedicado e o que merece boas recompensas. Outros sorriem forçosamente enquanto o coração destila fel. Em uma pequena roda de irmãos, véio ficou de boca aberta com os comentários: falava-se de todos, menos dos que estavam na roda, é claro. E em outra roda, véio ficou mais perplexo ainda: não se falava diretamente dos irmãos, mas apimentava-se o verbo: "-é alguém daqui... mas, quem???", e todos se entreolhavam, num mistério profundo... Cada irmão que passava o pensamento fluía: "será este, ou aquele???"

E assim, tristemente, véio presenciou a formação de uma névoa escura que envolvia muitos filhos, que não sabiam porquê, na hora da gira, estavam sentindo-se mal, ou porquê não sentia a vibração do seu guia, ou pior, porque está sendo vítima de uma obsessão... Esta última é palavra da moda, muitas vezes usada para disfarçar os próprios "dragões" interiores!

Numa corrida quase mágica, os trabalhadores do astral trabalhavam para amenizar aquela corrente negativa que se formara, isola-se um, esforça-se para vibrar pelo menos próximo do outro, faz-se o socorro aqueles irmãos que foram atraídos pela vibração de desarmonia, compartilha a prece sincera emanada de poucos e, assim, há muito custo a luz se faz!

Afinal, muitos dos que buscam ali consolo e renovação merecem ser protegidos dos irmãos invigilantes, e serem atendidos de forma harmoniosa, de acordo com o merecimento de cada um.

Quero pedir, humildemente, que os filhos de fé nos ajudem a ajudar quem precisa, se a semente plantada da Umbanda ainda não germinou em seu coração, não desanime, faça um pequeno esforço para deixar os problemas lá fora do terreiro, vibre positivo para todos a sua volta, não se preocupe com o reconhecimento de suas atitudes, porque quando sua recompensa chegar, ela nem será percebida como tal. Que o branco vestido com orgulho e dedicação represente a paz do seu coração, para realmente "refletir a Luz Divina" entoada no Sagrado Hino da Umbanda.

E com as bênçãos de Pai Oxalá cresçamos unidos, porque a fé, o amor e a caridade está ao alcance de todos.

Pai Tomé de Angola
Médium: Ednay Melo (TULCA)

Lenda do Caboclo Tupinambá das Sete Matas


No meio de uma caçada na matas, Tupinambá, levou uma pancada na cabeça não se sabe o que foi, ele ficou desacordado por muito tempo.
Estendido no chão os insetos começaram a picar-lhe e isso fez com que levantasse um mau cheiro atraindo mais animais, um desses animais feroz, foi direto atacar o corpo do índio,quando para surpresa do animal,uma serpente pulou em cima desse animal, no meio dessa gritaria entre a cobra e o animal, o índio acordou assustado, e logo pegou sua faca que carregava na cintura, e atacou o animal, matando-o.
Rapidamente ele e a serpente se afastaram um do outro, mas sem tirar o olhar um do outro, então ele começou a caminhar de um lado e ela do outro, ele estava com medo que a cobra desse o bote, e ela com medo dele matar ela, isso dourou horas de caminhada, ate que ele começou a perceber que ela o ajudava a caçar.
Quando ele sentia perigo, por algum motivo, a serpente ia à frente dele, servindo de isca, e quando o animal ia atacar a cobra, ele matava-o. Eles começaram a ficar tão próximos um do outro, que ele carregava ela no braço, como se fosse um bracelete.
Por ter ficado muito tempo desacordado, Tupinambá, se perdeu nas matas, pois os matos cresceram e as marcas deixadas por ele desapareceram, enquanto eles andavam no meio da mata procurando a saída, a serpente o levou até a morada das cobras, e La elas ensinaram o segredo delas, e as magias para salvar, e nisso elas subiram no corpo dele, curando as feridas, causadas pelos insetos, ele passou a conviver com elas, até que um dia ele se surpreendeu com um ataque da cobra coral, isso aconteceram várias vezes, ela tinha ciúmes dele com as outras cobras, isso foi criando rincha entre os dois. Para provocar a coral, o índio a imitava, até nessa brincadeira ela atacou ele, e acabou matando ela, então ele catou o couro dela e colocou na testa dele, simbolizando ele.
Quando as serpente viram, elas aceitaram, mas as outras coral, não e permaneceu a rincha entre eles. Nisso a serpente foi mostrando para ele as sete matas, ele começou a conhecer as matas como a palma da mão, cada mata tinha seus segredos, as pessoas olham as matas e pensam que a mata é uma só por ser muito grande, mas não, ela é dividida em várias partes, até chegar ao centro da mata vigem, e de tanto eles andarem para lá e para cá, que ele começou a se se lembrar do caminho de sua aldeia, a alegria dele era imensa.
Mas para a sua tristeza durante o tempo que ele ficou perdido nas matas, a aldeia dele foi invadida por caçadores, e queimada, matando a mãe dele, antes disso eles usaram e abusaram da mãe dele, e o resto de sua família foi embora dali, com o povo da aldeia, Ele não quis ir atrás deles, preferiu ficar ali, com a sua mais nova amiga, a serpente, já que ela não desgrudava dele. Ali ele montou uma cabana para eles,permanecendo sozinho por pouco tempo,pois assim que as índias viram aquele índio tão bonito,sozinho, quiseram fazer parte daquela mini aldeia,e isso fez com que atraíssem mais índios,formando famílias,Tupinambá se tornou um índio muito triste de poucas palavras,sem perceber aquela mini aldeia se tornou uma grande aldeia, toda as enfermidades que surgiam,eram eles que preparavam os remédios e curavam as pessoas.
O carinho entre o índio e a cobra, fez com que eles conseguissem se comunicar pelo pensamento,e nisso ele sentiu quando ela nomeou ele como Tupinambá das sete matas,pois é o único índio que conhece as sete matas e os segredos dela,muito emocionado ao sentir essa vibração de amor e carinho,ele fez uma reunião entre o povo dele e passar essa homenagem para o seu povo.
Com o passar do tempo, a idade foi chegando e a tristeza aumentado, ele sentiu que iria morrer preferiu não se despedir de ninguém então se isolou na mata, sentando de baixo de uma árvore com a cobra grudada no braço, e ficou ali com seus pensamento e a cobra, a sua morte não demorou muito e chegou só que antes dele falecer a serpente faleceu primeiro.
Depois de muito tempo que estava falecido, ele encontrou seu amigo, que era chefe da aldeia onde ele foi criado com muito amor e carinho, a alegria dele nascia de novo, e passou a trabalhar com ele fazendo a caridades nos templos de umbanda e centros espíritas. Vendo todo trabalho do índio,como ele fazia caridade com amor,com a permissão de oxalá, ele falou ao caboclo:
A partir desse momento você vai ter sua própria linha de trabalho, pode escolher sete espíritos, que você tem a permissão de oxalá, sem palavras ele, falou da vida dele, na terra, sendo que o chefe dele já sabia então ele falou que queria ir atrás do espírito da cobra que tanto o ajudou. E eles foram,ao chegar lá, ele viu uma linda cabocla vindo ao encontro deles, e ele sem entender nada,ela começou a explicar tudo.
A serpente em vida foi uma linda cabocla, mas ainda jovem foi estuprada, e jogada nas matas por caçadores, e com o corpo estendido no chão, todo machucada, as cobras vendo aquele corpo todo ferido, começaram a passar por cima, do corpo dela como os outros animais, e com a magia das cobras elas curaram as feridas e do corpo dela e da alma, só que ela não aguentou e acabou falecendo, mas o espírito dela preferiu ficar ali com as cobras, pois durante o dia ela dançava e cantava para atrair os homens, e levando eles, no meio da mata para ficarem perdidos e serem comidos pelos animais, no mesmo jeito que ela foi isso ela fazia por vingança.
Depois ela voltava a ser cobra, Só que ela conheceu o índio, ele ensinou a ela a amizade, o carinho e respeito, a fazendo ela esquecer a vingança, que ela trazia no coração dela, e quando ela faleceu sem eles saberem, ela foi despertada do sofrimento, fazendo com que o espírito dela fosse por um caminho de luz.
Ele explicou a intenção dele, de fazer a caridade nos templos de umbanda, e ela aceitou. Não são todas as pessoas que trabalha com o caboclo que traz ela junto,a pessoa é escolhida por oxalá .Ela é uma cabocla de descarrego,e ele é um caboclo de trabalho,quando ela vem na umbanda,ela solta o brado dela ,ou seja o som de uma serpente demonstrando o amor que ela sente por ele.
E ele o piado da cobra coral demonstrando o desafio que ele teve com a cobra coral por causa da serpente, que hoje traz o nome de Cabocla Currupira.
Psicografia Caboclo tupinambá / Médium:Telma Rosana

domingo, 4 de janeiro de 2015

sobre a vida de uma certa Rosa Caveira.

ela ganhou esse nome qdo desencarnou de forma violenta e passou anos no Umbral tentando se vingar do causador de sua morte e sofrimento.

Como o ódio era tanto ela conservava a imagem de cadáver definhando, sendo consumida por bichos. Já mostrando o esqueleto.

O ódio dela nunca passava. Vagava dias e dias atrás do seu assassino.

Somente qdo o homem que a estuprou e matou desencarnou ela pode se vingar. O desejo de vingança era enorme. Sentia sede de sangue, não pensava em mais nafs.

Mas qdo foi tentar se vingar percebeu que no Umbral não conseguiria. Que ela como ele já eram desencarnados. Já estavam pagando por seus atos.

E se arrependeu de passar tanto tempo nesse odio, sem buscar sua luz.

Apelou e clamou por misericórdia.
Quando Tata caveira veio em seu socorro. Permitido pelas mais altas leis espirituais ele a perdoou. E mostrou-lhe que o maior perdão vem de dentro de si mesmo.

Tata então a acolheu,
E devolveu-lhe metade de sua beleza a fim de que ela sempre lembrasse que o ódio e vingança não a levariam a lugar nenhum.

Hj ela trabalha pro bem. Atua nas falanges espirituais e vem em socorro de seus "filhos".

Quase todas Rosa Caveira são muito caladas e observadoras. São de pouca conversa. Simpáticas qdo devem ser e firmes, e até rispidas qdo necessário.

sábado, 27 de dezembro de 2014

PRETO-VELHO PAI JOAQUIM DE MOÇAMBIQUE E EU.

Este é o retrado desenhado deo meu amigo Pai joaquim de Moçambique

Hoje vou apresentar meu amigo espiritual de longos trabalhos na caridade:
Meu amigo e irmão Pai Joaquim de Moçambique.
Quando este amigo se manifestou todos tinham mêdo dele,pois 
vinha com aparência brava,não era muito de ficar falando.
Neste terreio que hoje não existe mais aqui na cidade pois meu pai de santo Osmar faleceu era proibido firmar e ter certeza que era realmente um guia,tinha que riscar seu ponto e cantar eu ponto,falar então nem pensar.
Não se aceitava um guia ter sentencia logo que se manifestará tinha que ficar sei meses,já mostrando que não veio por brincadeira já riscou o ponto e cantou seu zuela,e disse que queria tabucar.
Os médiuns antigos ficaram  de boca aberta ,não deu dois trabalho e ele corria para falar com a assistência,era chamado atenção e eu não fugia das broncas;não adiantou nada,a não ser deixar que ele fosse praticar a caridade.
Duas médiuns de anos ali cochichando que era mistificação minha,o preto velho chamou o cambone e disse :
__ Se a língua é venenosa ela mesmo pica quem fala.
Semana seguinte as duas ficaram com os pés enxado foram aos medico e nada;não se encontrava nem os remédios fazia efeitos,correu no dirigente incorporado pedindo ajuda;e nada da dor acabar,foi nos pés de todos os guias menos do Pai Joaquim,até que o preto velho chefe,mandou ir aos pés desse grande amigo que lhes disse:
__ Picada de veneno de boca e faladeira da nisto.Saibam respeitar qualquer guai que se apresente,qualquer médium que entre aqui no terreiro,no final dos trabalhos a dor acaba e os pés voltam ao normal.Tido e feito.
As duas agora só falava com Pai Joaquim.
Certa vez Pai Benedito dirigente dos preto velhos no terreiro teimava que tal médium não era de incorporação,vendo a tristeza do médium,Pai Joaquim disse ao cambono,não sou guai se este menino não incorpora.No próximo trabalho Pai Joaquim chamou o médium colocou a mão na testa,e seu nego velho desceu no aparelho,Pai Joaquim se levantou foi ate pai Benedito e disse: 
___Não é que o médium não incorpora mesmo ?
Logico que quem pagou o pato foi eu nos final dos trabalhos.
Hoje Pai Joaquim é um nego brincalhão parece criança,fala de tudo ,conta casos,faz piadas,mas também faz a pessoa chora lhes mostrando seus erro e depois faz ri lhe mostrando caminhos da vida com menos espinhos.
Eu mesmo fui vitima desse amigo espiritual,não acreditava e ele avisava que pareasse com isto,belo dia cheguei com um corte na cabeça por uma briga que ate hoje não vi razão,nego mandou me falar que fora ele que lhe mostrava que seu espirito era real.
Estudar é obrigação do médium pelo menos um livro por mês espirita e nunca deixar de trabalhar na caridade,e quando tiver duvida pode ter certeza que ele corrige e mostra o erros.
Quantas vezes sinto ele do meu lado me instruindo a fazer algo.
Quando o vi pela primeira vez em sonho sei que falamos muito,e ele me pediu que ao acadar desenha-se ele.Este desenho é o meu amigo e irmão por que não dizer pai:
Pai Joaquim de Moçambique.
Na encanação de escravo nunca se casou,era apaixonado por uma sinhazinha que ao ficar velha os filhos a colocaram para fora da casa grande,sem saber para onde ir foi mora na casinha do nego -velho,onde ficaram por algum tempo até desencanarem.
O bonito é que o meu ere outro grande amigo e filho Chico chiquinho já tinha falecido nesta fazenda a paulada pelo feitor,no dia que a sinha veio ao encontro,foi chico chiquinho que apareceu lhe dizendo que a felicidade agora estaria completa.
Bem esta é outra historia que um dia lhes conto,talvez nem romance futuro.
Seja como for esta é minha homenagem ao meu grande amigo espiritual que tenho certeza esta sempre ao meu lado e juntos fazendo caridade.
O terreiro tem o seu nome:
"Toco do pai Joaquim" Toco porque quando abri foi a primeira coisa que ele me pediu.

Quando entrei no Omoloko pela primeira vez preta velha vô Catarina,ao me ver disse.Aqui será eu começo de aprendizado não ficara muito tempo pois embaixo de uma jabuticabeira colocara um Toco onde ira fazer caridade mesmo que seja somente você e a espiritualidade.Nem me lembrava mais dessas palavras quando um dia olhei que no quintal de minha casa,tinha um pé de jabuticaba ,um toco onde sempre se faz caridade.
Mas uma vez a comprovação que a espiritualidade realmente existe...
Ate a próxima.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Conversando sobre Exu
Dizem que Exu é homem sério, carrasco, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades têmMuitos temem Exu, relacionando–o com o Diabo ou com algum dessesmonstros cavernosos que a mente humana é capaz de criar.
Bem... dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, o cemitério, vialgo inusitado, que me fez pensar...
Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada comomeio de ligação à falange a que pertencem, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer. Afinal, os Caveiras, em sua maioria,são de natureza recatada e introspectiva. Mas chorava sim.
Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava peloserros do passado, chorava por uma pessoa a que amava muito, mas quejá não tem mais por perto. Claro, sabe que ninguém morre, mas asaudade e o remorso apertavam fundo seu coração.
Isso acontece muito no plano espiritual, onde, muitas vezes, os laços são rompidos, devido às diferenças vibratórias. Na verdade,eles não se rompem, mas apenas se afrouxam um pouco...
Mas, voltando à nossa história, fiquei pensando muito sobre aquela visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim, se eu contasseesse "causo" a alguém. Afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, Exu não tem sentimento, Exu não chora...
E para aqueles, então, que endeusam "seu" Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Acaba que, na Umbanda, Exu assume um arquétipo, ou mito, tão supra–humano, que,muitas vezes, deixa de ser apenas o mais humano da própria Umbanda.
Arquétipo esse, diga–se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, o arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.
É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...
Logo depois vi outro Exu, vestindo uma longa capa preta, aproximar-se do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvie não estava apto a ler os seus pensamentos. Mas uma coisa é certa: os dois saíram a gargalhar muito!
Engraçado... Como é que pode? Estava chorando até agora e, de repente, sai rindo, de uma hora pra outra? - pensei, contrariado.
Fiquei alguns dias refletindo sobre isso e cheguei a uma conclusão.
A principal característica de todo Exu é o seu bom–humor. Afinal,mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma boa gargalhada para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Eles podem escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado por linhas tortas, ou sei lá mais o quê, mas uma coisa é certa: vão escrever gargalhando.
Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que, de tanto trabalhar com Exu, torna–se sério, faz "cara de mau", vive reclamando da vida, além de tornar–se um grande juiz.
A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar ninguém. Pelo contrário, o que vejo é Exu nos ensinar a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e ... bom–humor!
Vejo também que Exu não julga ninguém. Afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso nos incomoda. E sabe por quê? Porque tudo que condenamos aparece em nós, antes de aparecer nos outros.
Por isso Exu não gosta de falso pregador, que vive dizendo aos outros como devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas, no dia a dia, pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso. Muito pelo contrário. Ele até sente por aquela pessoa, mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?
O certo é que a linha de Exu nos coloca frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum "kiumba", assediador ou obsessor, mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando "incorporado" com Exu, não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias para fora; outros, seus medos e inseguranças; muitos, seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto é complicada e enrolada naquele sentido da vida.
Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver... E o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos... Aí não resta outra opção para Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.
Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo relatar aqui mais uma experiência surpreendente sobre a sua natureza.
Dia desses, depois de um "pesado trabalho de esquerda", fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que faço isso, algo estranho acontece.
Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou seja qual for o nome que queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que estavam presentes. Sabe como é... na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos "desregrados da seara bendita". A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e a "doutrinação" desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.
Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam "demandando o grupo", ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas.
Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente. Eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas "brechas vibratórias" de nossos próprios sentimentos e pensamentos.
Mas que na Umbanda ainda se pensa que tudo de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...
Bom, o que sei é que, alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado. Afinal, muitos pensam que Umbanda é "só incorporar" os guias e, de preferência, de forma inconsciente! Sei, sei... Olha Exu gargalhando novamente!
Nesse local, muitos espíritos eram levados até mim e eu projetava energias de cura para eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo. Alguns um pouco conscientes, outros completamente inconscientes. Mas o importante era a energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.
Por quanto tempo fiquei lá não sei, já que a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que, em um certo momento, um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:
- Está vendo quanto espírito a gente tem "pego" daquelas reuniões que vocês fazem? - perguntou ele.
- Nossa, quantos! Muito mais do que eu podia imaginar.
- E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, "das muitas casas" dos guardiões da Umbanda, espalhadas pelo Brasil.
- Puxa!, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?
- Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda.
- Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E, dessa parte, os umbandistas não querem nem saber!
- Ah, eu ainda pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar de amor e caridade, mas quase ninguém se lembra de vir até aqui cuidar desses espíritos que vocês mesmos mandam para cá.
- É que muitos não sabem como fazer isso, amigo! - tentei eu defender os umbandistas.
- Claro que não sabem! Só se preocupam em "cortar demandas", combater feitiços e destruir "demônios das trevas". Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões, querendo brincar de guerra!
- Lembre–se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão de subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar de que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a Umbanda se relaciona com ele.
- Dediquem–se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Orem por eles, façam uma vibração por eles, tratem–nos com a luz das velas e do coração. Busquem conhecimento e uma forma de auxiliá–los.
- Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote e não tiver ninguém para lhe estender a mão, se você vai achar tão "glamoroso" esse ciclo infernal de demandas, perseguições emagias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.
- É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior, à qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?
- Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você se lembrar dessa conversa toda ao acordar. Veja se escreve isso para os seus amigos umbandistas! E pare de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!
- Está certo, seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao "lixo". Mas você se apresenta como um negro e, a julgar por esses facões nas suas mãos, acho que nada tem a ver com lixo...
- Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer "o mestre", aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse mais relacionado diretamenteà cura e à prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Veja se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de "lixo"...
Pouca coisa lembro depois disso.
Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais.
Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências sobre os Exus. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmitificador da sua figura.
Para falar a verdade, essas duas histórias são bem diferentes.
Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom–humor, o autoconhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que se preocupacom o pessoal "lá de baixo".
Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista. Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a Umbanda esteja mudando.
Ou, quem sabe, a Umbanda e os Exus sempre foram assim, nós é que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas, ao mesmo tempo, é tão diferente.
Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...
A lenda de (um) Exú Capa Preta
 O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá. Podia senti-la, captava sua angustia, sua indecisão, e acima de tudo seu medo. Ela não estava só, alem de mim, vi outros que a acompanhavam. Eram de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado.
Tentavam envolvê-la com uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais nervosa e também mais decidida. Eu os via, mas eles não me notavam. à medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais mais e mais pessoas entravam. Todos apressados para chegar em casa. O coletivo corria em direção a periferia da cidade. Ela esta lá, meio deslocada, olhava com insistência um pedaço de papel. Ali em suas mãos o endereço que segundo ela mudaria seu destino. Ato continuo ela toca a campainha, o ônibus para, descemos... Aqueles que a acompanham, vibram, ela esta na iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito tempo. Vibram com tanto ódio que ela enfureceu-se consigo mesma.
Como se deixara envolver por aquele rapaz? Tinha que resolver isso imediatamente e tratar de seguir sua vida, sem que seus pais soubessem. Ela verifica o número anotado, esta perto. Chega a uma casa humilde, como todas as outras ali no bairro. Toca a campainha é atendida por uma senhora que executara o serviço. A mulher a analisa rapidamente, já vira muitas iguais a ela, não tem tempo para conversa fiada.
Pede-lhe o dinheiro e manda que espere, pois existem duas mulheres na frente dela. Ela senta-se e aguarda. Eu tenho que agir rápido. Vibro minha espada no ar, e os seres trevosos que a acompanham estarrecem ante minha presença. Fatalmente eles me notam,agora ou correm ou me enfrentam. Decidem sabiamente pela primeira opção, saem da casa, mas ficam do lado de fora, tentando contatar outros que podem vir ajudá-los. Aproveito para me aproximar dela. Envolvo-a com minha capa, ela se acalma, por um instante, sugestionada por mim e titubeia. Já não tem certeza se deve continuar. Eu vibro em seu mental para que saia dali vá tomar um ar fresco lá fora. Ela me atende. Quando chega , ainda envolvida por minha capa, torna-se invisível para os que a acompanham. Tenho que me materializar. Ela assusta-se ao me ver, tenta gritar não consegue, tenta voltar para dentro da casa, mas eu a impeço. Chamo-a pelo nome, digo-lhe que não deve me temer, falo que venho em paz. Tenho uma missão: Evitar que ela faça o aborto. Não deve impedir aquele espírito de vir ao mundo. Pouco importa se a concepção fora fruto de uma aventura. Deve deixá-lo vir.
Será um menino, veio do passado para cumprir uma missão, ela não deve abortá-lo. Sei que seus pais não aprovarão a gravidez, mas me comprometo a acalmá-los e fazê-los aceitar. Ela chora, não entende como pode estar ouvindo aquilo. Falo com tanta firmeza que ela quer saber quem sou. Digo-lhe que me chamam de Exu Capa Preta, sou um guardião, protegerei o menino que ela carrega no ventre. Estarei ao lado dele a vida toda, acompanhando-o, guiando-o e protegendo-o. Portanto ele não deve temer. Chorando ela consente, avança para a rua, toma um ônibus e retorna para casa. Protejo-a durante a gravidez, o menino nasce forte e saudável, cresce sem sobressaltos como prometi. Sempre que acho conveniente deixo-o que me veja, aos poucos vou me apresentando. Hoje ele esta feliz, acabara de completar 18 anos.Seus amigos comemoram a data festiva. Movido pela curiosidade o rapaz resolve conhecer um terreiro de Umbanda. Estou ansioso, chegou meu grande dia! Ele chega, senta na assistência. Lá dentro uma gira de Exu. Eu já me entendi com o Exu chefe da casa, somos bem vindos. Quando ele entra para tomar um passe com linda Pomba Gira eu tomo-lhe à frente e incorporo. Abraço a moça com carinho, já nos conhecemos de longa data, fumo, bebo, canto. Daqui para frente haverei de incorporar sempre que necessário. E assim foi. Ele desenvolveu, abriu seu próprio terreiro, cumpre com amor e carinho sua missão. De minha parte não o abandono nunca. Estou sempre disposto e feliz.
História de (um) Exú Morcego
Em um castelo, inteiramente de pedra, mal cuidado e isolado no meio de uma floresta, típico daqueles pertencentes ao feudo europeu, vivia um homem branco e corpulento, trajando uma surrada roupa, provavelmente antes pertencente a um guarda-roupa fino.
Percebia-se o desgaste causado pelo passar do tempo, pois ainda carregava uma grossa e rica corrente de ouro de bom quilate, com um enorme crucifixo do mesmo cobiçado material. Parecia viver na solidão, muito embora no castelo vivessem vários serviçais.
Na torre do castelo, as janelas foram fechadas com pedra, e só pequenas frestas foram feitas no alto das paredes. A luz não podia entrar. A torre não tinha paredes internas, formando uma enorme sala, com pesada mesa de madeira tosca, tendo como iluminação dois castiçais de um só vela cada. Ao lado da tênue luz das velas, livros se espalhavam sobre a mesa, mostrando ser aquele homem um estudioso e que algo buscava na literatura.
De braços abertos, com um capuz preto cobrindo sua cabeça, emitia estranhos e finos sons, tentando descobrir o segredo da conhecida Sagrada Arte.
Pelas frestas da torre, entravam e saiam voando vários morcegos com os quais ele procurava inspiração e força para atingir sua conquista. Por quê? Não sei. A idéia e as razões eram da estranha figura. Parecia um homem de fino trato, transfigurado na fixação de atingir um poder que não lhe pertencia.
Seu nome era Guland, hoje, ele trabalha como Guardião do Vale dos Suicidas e já teve seu corpo perispiritual muuuuuito deformado por suas sucessivas vidas interrompidas das mais diversas formas, e exatamente por isso levei mais de 4 anos, com o trabalho de sucessivas incorporações nas linhas de esquerda, entregas e rezas para que ele perdesse seu aspecto deforme, quase animalesco e voltasse seu aspecto humano. Gouland, este senhor alquimista tem muitos mistérios e segredos, mas nenhum deles causaram tanta admiração e respeito quanto sua linhagem de atuação, incorporado no terreiro como o querido mas temido Exu Morcego. Ele é um exu nervoso , anti-social, não é muito de prosa mas quando faz algum tipo de trabalho como ele mesmo diz "vai buscar voando " e sempre cumpre com o que diz.

                                               O AMIGO

Sob um clarão de luz, caminhe adiante, com força e com vontade. Os percalços da vida são jogados ao léu, para se superar a caminho do céu! A presença de um amigo é tão bom de se sentir... eu te acompanho, eu te ajudo, é só você não desistir! A presença dos guias e a confiança no que fazem é tão importante quanto o ar que se respira. Basta apenas umas coisinhas, fé e confiança. Compreensão no que acontece. Depois da tempestade vem a bonança. Nunca abaixe a cabeça ou desanime no caminho, já contou quantos amigos tem? Tem eu e tem muitos outros, Malandrinho... Me chamam de "Cláudio", mas sou um "Irmão de Jornada", mais um espírito nas estradas da vida. Cada degrau, cada passada, é sempre uma experiência a ser vivida. Sou o amigo dos idos passados. Temos dívidas um com o outro, fora a grande amizade conquistada a duras penas, que não se esvai com facilidade. Basta coragem e alegria para vivermos em harmonia. Persistência e postura para subir lá nas Alturas. Depois olhar para baixo e ver quanta coisa passamos juntos e unidos, formando uma bela amizade, num laço de fraternidade. Quando pensava me conhecer de pouco, já te acompanhava a caminhada. A hora certa nos fez um ao outro conhecer. Depois sem perceber, gostar, apreciar... com defeitos e acertos, mesmo assim me ama, falar do meu modo de ser, que gosta e não reclama. Bela é sua conduta, agradeço o amor por mim, pois na mesma luta, subiremos sempre assim. Trabalho muito e por isso me alegro. Não se esqueça, amigo, que mesmo no meio da festa, estou a trabalhar, ajudando a quem precisa dessas águas se banhar, de um jeito ou de outro, da maneira que convém. Você me ajuda a subir, a me elevar, pois então, tome-me como exemplo pra sua cabeça não baixar. Se eu não quero parar, não vai ser você que vai estancar. Não viemos aqui e agora para estacionar e sim nos elevarmos a quem nos guia e comanda! Tomara, Deus, que eu possa te ajudar com essas pequenas palavras a ditar. Na minha mais pura ignorância, espero mandar para você um momento de paz e alegria, trazendo a você a harmonia interior desejada. Você me dá a chance de ser alguém e se depender de mim, não vai parar na estrada sem luz. Pois graças a Jesus, a oportunidade de felicidade em nossa jornada é dada a todos, sem deixar que a luz que há vá embora! Amigo é palavra chave. Como essa você tem muitos aqui, não nos deixe chupando o dedo, por simples medo. O medo e o escuro se supera. Caminhe com luz e altivez, como um Caboclo de luz e elevação. Mais embaixo estou eu, lhe cobrindo com as forças que tenho, para sua mais breve ascensão. Espero ter ajudado... se você tem lágrimas nos olhos, também tenho. Isso é sinal que valeu e confirma a união. Caminhe com Deus e a nossa jornada estará sempre livre e iluminada pelo Cristo. Com amor de um amigo... Seu guardião Claudio
Psicografia enviada ao
Pai Pequeno Julio,
no ano de 1994