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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Exú na Linha de Cura

Era mais um dia de trabalho na tenda umbandista, iniciou-se os trabalhos com a linha de caboclos, onde comumente são os que iniciam o trabalho na sessão desse templo. Por regra da casa, são os caboclos que efetuam os passes fluídicos nos filhos da assistência que ali adentram. Calmamente um a um vai adentrando no espaço de trabalho e recebendo os fluídos benévolos da linha de caboclos.
Enquanto todos os filhos incorporados e ocupados com os assistentes, uma senhora em seu silêncio esconde uma dor inimaginável, ela sofre em silêncio aguardando alguém que possa apaziguar sua aflição, mas ela não fala ninguém sabe, para todos, é apenas uma pessoa em busca de um conselho ou um passe.
Começam as curimbas para a subida dos caboclos, um a um esses bravos e maravilhosos irmãos deixam seus aparelhos, e consequentemente o recinto físico da casa.
Começam-se os pontos para os baianos, o louvor aos baianos é sempre entoado com grande festa e expectativa, são os nossos queridos camaradas que nos ajudam aconselhando e batendo um papo descontraído fazendo-nos esquecer nossas aflições que ficaram de fora desse humilde trabalho.
Um a um os assistentes vão conversando, tirando duas dúvidas e solicitando conselhos, e essa senhora, não fugindo da regra, também o fez. Mas algo a incomodava, mas ela talvez preferiu manter o silêncio.
Durante os trabalhos dos baianos, a gira descontraída, fui tomado por um êxtase inexplicável, eu não sou muito a favor de trabalhar com a linha da esquerda, confesso, não por preconceito ou porque gosto de menosprezar essa fantástica linha de guias, mas por opção e afinidade talvez.
Um baiano a chamou e foi onde ela começou a mancar, começou a chorar de dor, dizendo que estava com problemas nos rins, na perna esquerda e no braço direito, sentia muitas dores na coluna também.
Sinto a vibração do Sr. Marabô e me pergunto qual é o propósito de senti-lo em uma gira de baianos, além disso, qual é o propósito de senti-lo se eu mesmo sentia que os trabalhos corriam muito bem e sem maiores complicações?
A Vibração ficava mais forte, até que eu não pude segurar, como sou um médium semiconsciente, passivamente participei do trabalho dele e atento gostaria de saber do porque de sua aparição. Eu, já sabia que ele é uma das entidades que sirvo que atua enfaticamente na linha médica, mas qual o motivo para sua presença ali? Mil coisas se passam na cabeça, até achei que algum filho seria repreendido ou estaria ali alguma presença que por algum erro deixaram passar… É incrível como o tempo é relativo, em questão de segundos, veio um turbilhão de indagações em minha cabeça, até que…
– Tu, mocinha, venha cá! Disse ele.
Ela atônita e assustada faz com o dedinho indicador da mão direita em relação ao seu tórax, como quem diz: Eu?
– É, você mesma! Me acompanhe.
Vagarosamente a mulher o acompanhou e a levou para outro setor dentro do centro, um setor mais calmo para trabalhos mais tranqüilos. Com ele, foi chamado mais dois médiuns, que eram de Iemanjá por sinal, para acompanhá-lo no trabalho.
Chegando ao recinto, ele mandou pegar quatro bancos e ordenou a cada uma das filhas:
– Eu quero a linha de preto-velhos aqui, preciso fazer um trabalho conjunto com o início da cirurgia que irei prestar, portanto, firmem a cabeça que eu quero suas vovós aqui.
Enquanto os médiuns se preparavam para efetuar a comunicação mediúnica, ele já sentou, pediu a sua adaga, o marafo, seu charuto, e começou os trabalhos.
Lembro-me que uma preta-velha ficou posicionada ao lado direito dessa filha, outra ficou na parte posterior e o Sr. Marabô ao lado esquerdo, e iniciaram a triangulação terapêutica sobre a filha.
Foi solicitado mel e um chá de ervas, como temos essa disponibilidade no centro, fica muito mais fácil quando se existe uma urgência. Assim que esse chá de ervas e mel foi preparado, foi solicitado ao cambono ministrar três colheres na boca da senhora.
– Funcionará como anestesia, minha moça
– Espero, senhor, a dor é indescritível
– Tenha paciência, agirei em três frentes com você, você receberá passes fluídicos nas áreas menos graves, como seu braço direito e sua coluna, mesmo assim, teremos que fazer um tratamento de seis sessões, sua coluna deve-se a um reumatismo que iremos remover com o tratamento, o cansaço de sua perna deve-se a energias deletérias que serão excluídas de seu corpo, assim como seu braço direito.
Com o punhal na mão ele continua:
– A situação mais sensível é o seu rim, terei que fazer uma cirurgia psicossomática nele e te receitar alguns chás, tenha paciência que em duas luas será solucionado seu problema.
Após alguns minutos, ela dizia sentir uma pontada muito forte na dor, em contrapartida, estava tendo um alivio, uma espécie de formigamento em todo o corpo, e o preparado com o mel anestesiou um pouco suas dores, nisso, já se ouvia ela dizer: Graças a Deus, que Deus abençoe vocês.
Durante o trabalho, Sr. Marabô não parou, muitas fumaçadas de charuto ao redor da paciente, muita conversa, dizem que ele acalma muito os seus pacientes, contanto piadas e brincando, atuando também no corpo mental do paciente.
Durante o trabalho ela perguntou:
– Que estranho exu fazendo cirurgia e cura, vocês não são da encruzilhada e servem pra proteger o terreiro? Disse ela.
– Sim, a linha de exu em geral possui essa característica, mas tive um ofício na terra, que por sinal era médico, por não me achar digno de ainda caminhar na luz, caminho nas trevas, onde me sinto mais útil, e além de trabalhar sim, com a defesa do centro, pois eu também sou um exu que é firmado na tronqueira, eu também trabalho paralelamente com outros guias desse menino para atuar com a cura.
– Interessante, disse, nunca conheci um exu que trabalhasse com cura.
– Talvez você já conheça, ele apenas não se plasma dessa forma a você, dando uma gargalhada ele retruca.
Com isso, ele passou pela última vez sua adaga e disse:
– Minhas velhas, agradeço, o primeiro estágio da cirurgia foi concluído.
Nisso as preta-velhas que participaram ativamente da doação fluídica, de todo o magnetismo energético, trocando más energias por boas energias, também devagar foram desocupando seus aparelhos e fazendo com que as médiuns voltassem a si.
Disse a paciente:
– Obrigado senhor, vocês foram uma benção, eu andava com dificuldade pela dor, e agora consigo andar sem incômodo no rim ou na minha costela, vocês são uma benção, obrigado a você Exu.
– Agradeça a Deus, pois ele que deu a oportunidade para você aqui se curar e eu aqui atuar.
Com isso, a mulher foi levando muitas outras pessoas com problemas de saúde e com a graça de Deus, as graças também foram alcançadas por ela, e sinto-me muito feliz de ter sido um instrumento para essa benção e muito honrado por servir a esse Exú e a toda a Benevolência Cósmica.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Exú 7 facadas

Foi um Barão de Café, viveu e morreu em Minas Gerais por volta do século XVI e XVII, o mesmo diz que viveu anos acompanhado de sua esposa e seu filho varão. Onde diz que era um homem que ponderava as atitudes humanas e que e
ra muito conservador, um ótimo Pai onde fazia todas as regalias de seu filho e esposa.
Informa que aos seus (mais ou menos) 70 anos, descobriu que era traido por sua esposa com um dos seus capangas. Passando assim a observar para ter certeza do que o mesmo desconfiava. Um dia de chuva e tempo nublado o mesmo saiu como de costume para ver o seu cafezal, quando que para sua surpresa, surpreendeu sua esposa com o capanga. Entraram em uma briga, onde o mesmo, levou varias facadas pelo seu corpo. Senhor Sete Facadas conta que em sua juventude era um homem alto, de pele morena, altivo, por ter boas influencias em seu Estado, era um homem muito respeitado, onde o mesmo sabia ouvir e falar na hora certa. Destemido por alguns e amado por outros.
Sr Sete Facadas não é de enrolação durante suas consultas o mesmo diz que se você veio até uma consulta é porque esta necessitado ou se não for assim não venha com brincadeiras durante suas consultas pois o mesmo é verdadeiro e gosta que o povo seje verdadeiro com ele também.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Exú Pinga Fogo

pinga fogo
Exú de serventia de Yorimá (Pretos-Velhos “o primado da Magia”).
Este chefe de legião tem sua característica no trabalho que realiza no corte de bozós – trabalhos de magia negra na calunga (cemitério, casa grande, reino do pó etc.).
Também atua no corte de correntes vindas de almas penadas, aflitas, desesperadas.
Corta tudo que for relacionado que se usa menga, egê (sangue) de sacrifícios de animais, bonecos, agulhas, dedal, alfinete, enfim, tudo que se relaciona com o Reino do Bruxedo.
São conhecidos como Exús das Almas, tão decantados, mal interpretados e mistificados. Um exemplo de atuação dos Exús das Almas é exatamente no cemitério pois lá entra quem já não pode sair e muitas vezes não queria estar lá (também acontece de não saber do que acontece mas aí é um outro caso) então se renegam e tentam “tumultuar”; outrosim, seres e larvas astrais que desejam mais do que nunca reformarem seus corpos astrais necessitam de carbono e onde há muito carbono? Isso, lá na calunga, com sangue, vísceras e tudo o que pode ser usado por eles para se “alimentarem”. Também estão, os Exús das Almas, onde há cruzeiros, profusão de sangue (abatedouros) e em portais de comunicação com outros mundos.
Exú Pinga Fogo pertence à linha das Almas, seria o segundo na hierarquia do cemitério abaixo só de Sr. Omulú.
Esse Exú é chefe de legião, Exú guardião!
Sua apresentação astral é de um homem forte com uma grande capa roxa por dentro e preta por fora, com bordados em dourado!
Em sua última encarnação foi um príncipe, enganava muito as pessoas, roubava, etc.
Pertence a linha negativa de Yorimá (Almas, Pretos Velhos). É serventia de Pai Guiné.
Seu mineral é ônix preto bruto ou hematita.
Seu metal é chumbo.
Sua erva é bananeira.
Trabalha muito com ervas, punhais, fitas, crânio (imagem de barro).
Fuma charutos, cigarrilhas. Bebe conhaque, uísque, marafo.
Sua guia é preta e branca com imagens de caveiras.
É pouco conhecido na Umbanda.
Fonte: http://www.umbandacomamor.com.br/
Aranauam

Exú do Lodo

O médico dos caídos!
O Senhor Exu do Lodo cuida dos pântanos, brejos e lugares de difícil acesso no Umbral. Ele trabalha, principalmente, para as Mães d’Água, socorrendo aqueles que cairam no lodo das imundícies da alma, perseguindo a ilusão das vaidades humanas.
Esse Exu foi um grande médico, cientista e pesquisador da cidade de Amsterdã, na Holanda, durante o século XVIII. Fez sucesso em sua área por salvar muitas vidas de pessoas importantes da sociedade. Porém, nunca atendeu ou deu atenção a um pobre sequer. Não atendia sem o pagamento da consulta. Sua missão naquela vida era construir hospitais, asilos e escolas para os menos favorecidos – o que ele não fez. Ele fundou um grandioso hospital, realizou cirurgias importantes, mas nunca se preocupou com a classe menos favorecida. Viveu para a fama e o sucesso. Sua mãe sempre lhe dizia para usar um pouco de sua fama para ajudar os necessitados. Ele consentia, dizia que o faria, mas nunca moveu um dedo nesse benefício.
Ao morrer, caiu no lodo umbralino das amarguras humanas e sentiu a ilusão da vida. Ficou por anos remoendo e tentando compreender sua situação. Quando foi socorrido por sua mãe, seu espírito estava condoído por ter percebido que desperdiçou uma vida e uma missão. Pediu para renascer e aprender sobre a simplicidade da vida… Nasceu no Brasil, entre os índios Caetés. Viveu apenas oito anos e morreu em consequência de uma picada de cobra venenosa. Sua mãe novamente o recolheu… No Plano espiritual retomou sua forma adulta, estudou e pediu para cumprir sua missão como médico dos espíritos imundos. Dessa vez não reencarnaria, mas assumiria a forma de um Guardião do Lodo e recolheria todos aqueles que caíssem nas ilusões da vida.
Assim, esse Exu do Lodo, trabalha e cuida do local mais denso do Umbral: o pântano. Ele recolhe, limpa e encaminha os espíritos que caem após uma vida perniciosa. Também atua nas reuniões dos Centros Espíritas, Espiritualistas e Umbandistas, limpando a energia do local e a aura de todos os participantes.